Ciências · Geologia

Quais camadas formam a Terra, do interior à atmosfera?

Conheça crosta, manto, núcleo e camadas da atmosfera, veja as evidências sísmicas e entenda por que os limites não são cascas uniformes.

Resposta direta

Pelo critério de composição, o interior da Terra é dividido em crosta, manto e núcleo. O núcleo tem parte externa líquida e parte interna sólida. Acima da superfície, a atmosfera também forma regiões com propriedades diferentes.

Uma divisão comum da atmosfera apresenta troposfera, estratosfera, mesosfera, termosfera e exosfera. Esses nomes organizam mudanças de temperatura e outras propriedades com a altitude.

Entenda passo a passo

Uma camada depende do critério

Uma camada é uma região definida por propriedades escolhidas. Podemos dividir o interior por composição química ou por comportamento mecânico. As duas divisões são úteis e não têm exatamente os mesmos limites.

Na divisão composicional, usamos crosta, manto e núcleo. Na divisão mecânica, aparecem nomes como litosfera, astenosfera, mesosfera terrestre, núcleo externo e núcleo interno.

Na atmosfera, podemos usar variação de temperatura, composição, carga elétrica ou mistura dos gases. Por isso, a ionosfera é uma região que se sobrepõe a partes de outras camadas, não uma casca totalmente separada em todas as classificações.

Corte da Terra com crosta, manto, núcleo externo e núcleo interno ao lado de uma coluna com troposfera, estratosfera, mesosfera, termosfera e exosfera.
Modelo esquemático e sem escala. As espessuras, cores, relevo e fronteiras foram simplificados; as camadas reais não são cascas uniformes.

Crosta, manto e núcleo

RegiãoEstado ou comportamento geralEvidência e limite
CrostaRocha sólida e relativamente finaPode ser continental ou oceânica; espessura e composição variam.
MantoRocha sólida que pode deformar lentamenteNão é um oceano de magma; há fusão localizada em certas condições.
Núcleo externoMaterial metálico líquidoO comportamento das ondas sísmicas apoia o estado líquido.
Núcleo internoMaterial metálico sólidoA pressão muito alta favorece o estado sólido apesar da temperatura elevada.

A crosta e a parte superior rígida do manto formam a litosfera. As placas tectônicas são partes dessa camada rígida.

O manto ocupa grande parte do volume do planeta. Em escalas humanas, a rocha parece rígida. Em escalas geológicas, parte dela pode fluir e se deformar muito lentamente.

O núcleo é rico em ferro e outros elementos. O movimento do material condutor no núcleo externo participa da formação do campo magnético terrestre.

Como sabemos o que existe no interior

Não podemos perfurar até o núcleo. O conhecimento vem de inferências apoiadas por evidências.

Terremotos produzem ondas que atravessam o planeta. As ondas P são compressivas. As ondas S envolvem deformação de cisalhamento.

  • Mudanças de velocidade e direção indicam fronteiras entre materiais diferentes.
  • Ondas S não atravessam o núcleo externo, o que apoia seu estado líquido.
  • Ondas P atravessam sólidos e líquidos, mas mudam de velocidade e trajetória.
  • Medidas de gravidade, campo magnético, fluxo de calor e experimentos com rochas sob pressão completam a evidência.

Um registro sísmico não é uma fotografia. Cientistas comparam tempos de chegada e trajetórias previstos por modelos com dados de muitos terremotos e estações.

Camadas da atmosfera

CamadaFaixa aproximadaRelações importantes
TroposferaSuperfície até cerca de 10 kmConcentra grande parte do ar e quase todo o tempo meteorológico.
EstratosferaCerca de 10 a 50 kmContém a região com maior concentração de ozônio; a temperatura volta a aumentar com a altitude.
MesosferaCerca de 50 a 85 kmA temperatura volta a diminuir; muitos meteoros se aquecem e se desintegram nessa região.
TermosferaAcima de cerca de 85 kmGases muito rarefeitos podem atingir alta temperatura; auroras ocorrem em regiões ionizadas.
ExosferaRegião externaO gás fica extremamente rarefeito e a transição para o espaço é gradual.

Os valores são aproximados. As fronteiras variam com latitude, estação e atividade solar. A atmosfera não termina como uma parede.

Temperatura alta não significa muito calor disponível para um corpo. Na termosfera, partículas individuais podem ter alta energia média, mas há poucas partículas por volume. O efeito térmico não é o mesmo de um ar denso.

Interior e atmosfera formam um sistema

Gases saem do interior por atividade vulcânica. A atmosfera e a água alteram rochas na superfície. Organismos modificam ciclos de gases. Energia solar aquece a superfície e movimenta parte da atmosfera.

Assim, as camadas não funcionam isoladamente. O modelo em corte ajuda a localizar regiões, mas não mostra todos os fluxos de matéria e energia.

Escala do desenho

Se a Terra inteira coubesse em uma bola de sala de aula, a crosta seria uma faixa muito fina. Desenhos escolares aumentam essa faixa para que ela possa ser vista.

A atmosfera também costuma aparecer muito grossa. Cores fortes não representam cores reais do interior. Nenhuma pessoa viu diretamente o corte completo mostrado no papel.

Exemplo

Da observação ao modelo

Uma estação registra a chegada de ondas P e S de um terremoto. Outra estação, em posição diferente, registra ondas P, mas não recebe ondas S por um caminho que atravessaria o núcleo externo.

Observação: os tipos de onda chegam de modo diferente.

Modelo: uma região líquida bloqueia a propagação direta de ondas S.

Inferência: o núcleo externo tem comportamento líquido.

Limite: a inferência depende de muitos registros, cálculos e propriedades conhecidas das ondas. Um único desenho não basta.

Erro comum

Erros comuns

  • Dizer que o manto inteiro é magma líquido. Grande parte é rocha sólida que se deforma lentamente.
  • Tratar as fronteiras como paredes lisas. Limites têm variações e são inferidos por propriedades.
  • Confundir crosta com litosfera. A litosfera inclui a crosta e parte rígida do manto superior.
  • Desenhar atmosfera e interior em escala sem aviso. Quase todo esquema escolar amplia regiões finas.
  • Pensar que a atmosfera termina de repente. A densidade diminui gradualmente até o espaço.

Guia para ler um modelo em camadas

  1. Qual critério define as camadas? Procure composição, comportamento ou temperatura.
  2. Qual é a ordem do interior? Crosta, manto, núcleo externo e núcleo interno.
  3. Qual é a evidência? Relacione ondas sísmicas, gravidade, magnetismo e calor.
  4. Qual é a ordem atmosférica? Troposfera até exosfera.
  5. Os números são exatos? Trate as altitudes como limites aproximados.
  6. O desenho está em escala? Leia o aviso e procure o que foi exagerado.

Como estudar este tema

Faça duas colunas. Na primeira, escreva as camadas do interior. Na segunda, escreva as camadas da atmosfera. Para cada uma, associe uma propriedade e uma evidência.

Depois, marque no desenho três simplificações: espessura, cor e fronteira. Explique por que cada simplificação ajuda e o que ela pode fazer o leitor imaginar de forma errada.

Exercícios com respostas explicadas

Pratique

Qual é a ordem correta do interior para a superfície?

Escolha uma resposta

Pratique

Qual evidência apoia a ideia de um núcleo externo líquido?

Escolha uma resposta

Pratique

Por que o corte colorido não é uma imagem literal da Terra?

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